A quinta-feira negra de Wall Street deu origem a um verdadeiro pesadelo para milhões de americanos que de súbito se viram assolados pela crise dos anos 30. Todas as esperanças que haviam sido depositadas na compra de acções caíram por terra no dia 24 de Outubro de 1929. Nesse dia fatídico, toda uma nação estremeceu ao aperceber-se da descida abrupta das acções que lhes tinham custado tanto dinheiro. No caso de diversas famílias tratavam-se das poupanças de uma vida inteira. Os cidadãos perderam tanto dinheiro na Bolsa como o que os EUA gastaram na guerra.
O “crash” da Bolsa provocou desemprego generalizado, baixou a produção industrial e atrasou o crescimento económico dos Estados Unidos. Para além disso, criou um clima de desilusão e pessimismo que teve graves consequências, como se pode verificar através da elevada taxa de suicídios.
Entre outros factores, a concessão ilimitada de crédito, aliada ao fenómeno da superprodução, estaria na base do descalabro. Realmente, apenas por volta de 1937 começariam a surgir indícios de uma recuperação económica. De facto, a nação americana só voltaria a conhecer níveis de produção semelhantes aos de 1929, quando a crise ainda não rebentara, na segunda metade desta década.
Os estúdios de Hollywood, sem meios financeiros para acalentarem projectos dispendiosos, fecham um terço das salas de cinema do país e pagam salários mais baixos a realizadores e técnicos (“gentlemen´s agreement”). Concomitantemente, grande parte dos espectadores, que vira o seu poder de compra enfraquecido, já não afluía tão frequentemente às sessões do “silver screen”.
Para combater o declínio do cinema, foi necessária a introdução do “programa duplo”, onde se projectava um filme com actores famosos, acompanhado de um outro filme, geralmente um “western”, que passou a ser chamado de película de série B. Por outro lado, exibiam-se várias curtas-metragens, entre as quais se contam películas de animação, documentários e jornais da actualidade. É de salientar que cada estúdio investiu na criação de um departamento dedicado à produção dos filmes de série B, exemplo que inspirou companhias independentes a participarem também nesta iniciativa. Estas companhias constituíam a chamada “Poverty Row”, devido aos escassos recursos que possuíam.
Embora o objecto deste ensaio seja o binómio cinema fantástico e de terror, não podemos deixar de prestar atenção ao aparecimento fulgurante dos musicais. A moda dos musicais, que serviam largamente para distrair os cidadãos das suas preocupações mundanas, espelha o desejo de evasão sentido por diversos americanos no ano de 1933. As fitas de monstros (“O Homem Invisível”, que data de 1933, e “A Múmia” de 1932) e “gangsters” (“Little Cesar” de 1931) manifestam o receio e a desesperança de uma sociedade à beira do abismo.
Aquando da ascensão do regime nazi, dezenas de milhares de cineastas e actores fogem da sua terra natal, convictos de que em solo alemão jamais encontrariam liberdade de expressão. Assim, Fritz Lang, Billy Wilder, Fred Zinnemann, Max Ophuls e Marlene Dietrich insurgiram-se contra Hitler e a sua máquina repressiva. Quem lucrou com este tremendo êxodo foi o cinema americano, que se viu revolucionado pelas técnicas trazidas da velha Europa.
De facto, o expressionismo alemão trouxe consigo cenários fabricados em estúdio e distorcidos do ponto de vista da perspectiva, existindo também uma forte relação com o teatro de vanguarda. Os actores que emigraram para a América iniciaram a sua carreira no teatro, onde aprenderam a importância do simbolismo. Mais do que isso, estes artistas alemães sabiam manipular os elementos da luz e da sombra, uma característica que seria bastante aproveitada em películas de terror e que compensava as restrições impostas pelo orçamento.
O “crash” da Bolsa provocou desemprego generalizado, baixou a produção industrial e atrasou o crescimento económico dos Estados Unidos. Para além disso, criou um clima de desilusão e pessimismo que teve graves consequências, como se pode verificar através da elevada taxa de suicídios.
Entre outros factores, a concessão ilimitada de crédito, aliada ao fenómeno da superprodução, estaria na base do descalabro. Realmente, apenas por volta de 1937 começariam a surgir indícios de uma recuperação económica. De facto, a nação americana só voltaria a conhecer níveis de produção semelhantes aos de 1929, quando a crise ainda não rebentara, na segunda metade desta década.
Os estúdios de Hollywood, sem meios financeiros para acalentarem projectos dispendiosos, fecham um terço das salas de cinema do país e pagam salários mais baixos a realizadores e técnicos (“gentlemen´s agreement”). Concomitantemente, grande parte dos espectadores, que vira o seu poder de compra enfraquecido, já não afluía tão frequentemente às sessões do “silver screen”.
Para combater o declínio do cinema, foi necessária a introdução do “programa duplo”, onde se projectava um filme com actores famosos, acompanhado de um outro filme, geralmente um “western”, que passou a ser chamado de película de série B. Por outro lado, exibiam-se várias curtas-metragens, entre as quais se contam películas de animação, documentários e jornais da actualidade. É de salientar que cada estúdio investiu na criação de um departamento dedicado à produção dos filmes de série B, exemplo que inspirou companhias independentes a participarem também nesta iniciativa. Estas companhias constituíam a chamada “Poverty Row”, devido aos escassos recursos que possuíam.
Embora o objecto deste ensaio seja o binómio cinema fantástico e de terror, não podemos deixar de prestar atenção ao aparecimento fulgurante dos musicais. A moda dos musicais, que serviam largamente para distrair os cidadãos das suas preocupações mundanas, espelha o desejo de evasão sentido por diversos americanos no ano de 1933. As fitas de monstros (“O Homem Invisível”, que data de 1933, e “A Múmia” de 1932) e “gangsters” (“Little Cesar” de 1931) manifestam o receio e a desesperança de uma sociedade à beira do abismo.
Aquando da ascensão do regime nazi, dezenas de milhares de cineastas e actores fogem da sua terra natal, convictos de que em solo alemão jamais encontrariam liberdade de expressão. Assim, Fritz Lang, Billy Wilder, Fred Zinnemann, Max Ophuls e Marlene Dietrich insurgiram-se contra Hitler e a sua máquina repressiva. Quem lucrou com este tremendo êxodo foi o cinema americano, que se viu revolucionado pelas técnicas trazidas da velha Europa.
De facto, o expressionismo alemão trouxe consigo cenários fabricados em estúdio e distorcidos do ponto de vista da perspectiva, existindo também uma forte relação com o teatro de vanguarda. Os actores que emigraram para a América iniciaram a sua carreira no teatro, onde aprenderam a importância do simbolismo. Mais do que isso, estes artistas alemães sabiam manipular os elementos da luz e da sombra, uma característica que seria bastante aproveitada em películas de terror e que compensava as restrições impostas pelo orçamento.
“O Gabinete do Doutor Caligari”, retrato impressionante de uma psicose transfigurada em metáfora, de 1919, mostra claramente como se fazia cinema numa Alemanha ainda ferida e humilhada da Primeira Guerra Mundial. As temáticas intelectuais eram preponderantes na corrente do expressionismo, que se interessava pelos estados de alma do indivíduo, especialmente pela loucura.
Em suma, a Grande Depressão reduziu a qualidade de vida dos cidadãos e forçou a indústria do cinema a adaptar-se a uma alteração da vida social que exigia novas estratégias de Hollywood. De forma resumida, essas novas estratégias significavam que os actores recebiam menos dinheiro pelo seu trabalho, que as sessões duplas estavam na ordem do dia, e que a utilização das técnicas alemães passava a ser recorrente.
Em suma, a Grande Depressão reduziu a qualidade de vida dos cidadãos e forçou a indústria do cinema a adaptar-se a uma alteração da vida social que exigia novas estratégias de Hollywood. De forma resumida, essas novas estratégias significavam que os actores recebiam menos dinheiro pelo seu trabalho, que as sessões duplas estavam na ordem do dia, e que a utilização das técnicas alemães passava a ser recorrente.
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